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Desafio da RTRS é tornar o centro da cadeia produtiva da soja mais responsável
08/01/2009 - Maria Fernanda Maia
 A expansão e modernização da sojicultura em geral originaram sérios impactos socioambientais nas diferentes áreas ocupadas pelo cultivo do grão, como a concentração fundiária e o uso intensivo de agrotóxicos. A última safra brasileira (2007/08) foi de 60,05 milhões de toneladas, segundo a Conab – Companhia Nacional de Abastecimento. Mato Grosso é responsável por 30%  desse volume, destacando-se como o maior produtor nacional. Nesse estado, a produção de soja tem sido apontada, ao lado da indústria madeireira e da pecuária, como responsável pelo desmatamento da Amazônia.

O tema é, sem dúvida, polêmico. Não é razoável pensar em parar a produção de soja como solução para lidar com seus impactos socioambientais, visto que ela é a fonte de proteína mais barata que existe atualmente. E alternativas como a produção orgânica não tem se mostrado capaz, até agora, de abranger o eixo central da cadeia produtiva, o chamado mainstream. Qual o caminho, então? Há quatro anos, um grupo de representantes de empresas, governos, produtores e ambientalistas têm se reunido para tentar responder a esta pergunta. A rota escolhida é a criação de um processo de mesa redonda no qual todas as partes interessadas discutem os problemas e estabelecem princípios e critérios que visam a criação de uma certificação para a produção de soja com responsabilidade socioambiental, válidos para a produção mundial.

O principal instrumento da Mesa Redonda da Soja Sustentável (Round Table on Responsible Soy – RTRS na sigla em inglês) é o elo entre grupos com interesses e perfis distintos, de modo a estabelecer uma ação conjunta. Para o setor empresarial, propõe-se um cuidado profundo com suas cadeias de fornecedores e o próprio comportamento das companhias. Já o produtor, que se encontra no início da cadeia, deve ser conscientizado sobre os benefícios da produção de soja de forma responsável. “Estamos discutindo pontos importantes da promoção de ações cooperativas e articuladas em um cenário onde cada participante deve identificar as suas contrapartidas. Neste sentido, vamos em direção muito diferente da visão preconceituosa e descompromissada que busca eleger um grande responsável por todos os impactos negativos e desconsidera a existência de impactos positivos”, afirma o engenheiro agrônomo João Carlos Vianna de Oliveira, do Instituto de Desenvolvimento da Gestão Empresarial no Agronegócio e representante da Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso na RTRS.

A Gerente de Responsabilidade Social do Rabobank Brasil, Daniela Mariuzzo, sugere um programa de divisão de conhecimento que deve ser criado para que aqueles produtores que possuem boas práticas socioambientais possam contar suas experiências e benefícios alcançados e com isso motivar os demais produtores a iniciar um processo de mudança. “O produtor tem que enxergar os benefícios de mudar, pois somente assim ele vai investir seu tempo e dinheiro nestas modificações”, avalia.

A construção desse processo global e participativo é intensa. O trabalho atual da RTRS é de mobilizar os envolvidos e criar um padrão responsável para a produção e industrialização do grão no mundo todo. “O maior desafio da RTRS agora é envolver países como a China, que é o maior comprador; e os EUA, que são grandes produtores”, aponta Karin Kaechele, do Instituto Centro de Vida, organização que participa do grupo de desenvolvimento de critérios para a RTRS.
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Consulta está aberta até 25 de janeiro e deve ser feita pela internet