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Endividamento: Famato critica decisão do Governo Federal
07/11/2008 - Só Notícias
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Rui Ottoni Prado, disse ontem que a decisão do governo federal em não autorizar uma nova prorrogação das dívidas rurais dos produtores mato-grossenses “é equivocada” e pode trazer graves conseqüências ao setor. Uma das mais evidentes serão as perdas na arrecadação do Estado, no próximo ano. “Se ainda falta dinheiro para concluir o plantio, como vamos pagar as dívidas?”, questiona, em entrevista ao Diário de Cuiabá. E completa: “Os produtores simplesmente vão deixar de pagar porque não têm de onde tirar o dinheiro”, afirmou Prado. Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) estima que a área plantada de soja não deverá sofrer redução na próxima safra, porém a produção vai cair pelo menos 800 mil toneladas devido à utilização de fertilizantes em menor escala este ano. Conforme o Imea, Mato Grosso iniciou a temporada agrícola 08/09 com uma equação negativa para quem planta: custos de produção elevados em 43% nos últimos doze meses e o valor das principais commodities recuado em 46% no período de junho a setembro deste ano. O resultado do desencontro contábil é um déficit de R$ 2,8 bilhões para o produtor concluir o plantio das três principais culturas mato-grossenses: soja, milho e algodão. Rui Prado afirmou que os recursos suplementares de R$ 1 bilhão anunciados pelo governo federal como linha de crédito especial para financiamento da safra agrícola, por meio de Cédulas do Produto Rural (CPR), não chegarão ao produtor. “É uma medida inócua”. A nova linha de financiamento para os bancos credores que o governo quer aprovar – e que teoricamente pode significar mais crédito para o setor rural – também foi criticada por Rui do Prado. “Essa nova linha é um negócio impossível, pois o produtor nunca vai estar com sua situação cadastral em condições de acesso ao financiamento, uma vez que nem a dívida temos condições de pagar”. O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) defendia um prazo extra para o pagamento das dívidas que não foram pagas, que somavam R$ 1 bilhão, de um total de R$ 5 bilhões da parcela de investimentos. No entanto, ele informou que não haverá prorrogação da data de pagamento. “Isso quer dizer que os produtores não terão como pagar as dívidas”, afirmou o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira. “Temos problemas de caixa, precisamos de dinheiro para plantar e não há como desviarmos o nosso foco [plantio da safra] neste momento”, disse. Como socorro emergencial, os produtores defendem a inserção de recursos da ordem de R$ 1,61 bilhão no Orçamento Geral da União para ajudar a fazer a sustentação dos preços mínimos. “Só o R$ 1,5 bilhão previsto não será suficiente”, reclamou Silveira. Ele diz que os produtores não precisam de uma nova linha de financiamento, mas apenas negociar a prorrogação da dívida por mais alguns anos. “Se o banco quiser, pode entrar na Justiça e tomar nossas máquinas. Fizemos o que podíamos. Infelizmente, a realidade é essa e hoje nada mais podemos fazer”, lamentou. Na quarta-feira foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) o decreto nº 6.628 que aprova o Fundo Garantidor de Financiamentos (FGF). O FGF é um aporte complementar para a linha de crédito no valor de R$ 2,2 bilhões do FRA. O prazo de adesão dos produtores ao FRA termina no próximo dia 30 de dezembro de 2008. Disponível em:http://www.sonoticias.com.br/agronoticias/mostra.php?id=25571 |
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