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Desmatamento da Amazônia cai 49% em 12 meses, aponta o Inpe
10/08/2010 - Mauro Zanatta / Valor Econômico

O ritmo da devastação da floresta amazônica parece ter sofrido uma redução nos últimos 12 meses.  O governo anunciou ontem uma freada de 49% no desmatamento da Amazônia até junho.  Nesse período, foram derrubados 1.808 quilômetros quadrados, equivalente à soma das áreas dos municípios do Rio e Salvador.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelo sistema de detecção rápida (Deter), informou que deixaram de ser desmatados 1.728 km2 nesses 12 meses, a área igual aos municípios de São Paulo e Belo Horizonte somados.  Os "campeões do desmatamento" no período foram os Estados do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas.  O sistema monitorou 777 municípios.

Embora as motosserras tenham "poupado" esse território até aqui, o Inpe fez importante alerta: o Deter tem precisão de apenas 40%.  "A nossa indicação é de tendência de queda.  A magnitude disso ainda não se sabe o quanto será.  Não é correto dizer, com certeza, que houve queda de 49%.  Não temos garantia de que vimos tudo por conta dos pequenos desmatamentos", afirmou o diretor do Inpe, Gilberto Câmara.  Ou seja, a devastação deve ter sido maior do que foi possível detectar pelo sistema.

Mesmo assim, as taxas estão em trajetória descendente desde 2004.  O Inpe projeta desmatamento de 4 mil km2 em 2010, o que ficaria abaixo do limite de 9 mil km2 assumido como meta na conferência do clima em Copenhague.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, admitiu que esses "puxadinhos", áreas de destruição inferiores a 25 km2, têm aumentado tanto que já significam 60% do total das derrubadas.  "O que o Inpe nos mostra é que havia uma tendência de desmatamento acima de mil hectares no passado.  Esse desmatamento caiu.  Os pequenos desmatamentos têm subido.  Eram da ordem de 20%, em 2002, e hoje já chegam a 60% do total do patamar registrado", disse.

Em junho deste ano, a devastação da Amazônia bateu em 244 km2, resultado 58% inferior ao registrado no mesmo mês de 2009 - área quase igual ao município de Curitiba.  Os maiores desmatamentos foram identificados no Pará (161 km2), Mato Grosso (36,5 km2) e Amazonas (24 km2).

Ao anunciar os dados, a ministra chamou a atenção para um "aumento residual" de 13% nas derrubadas registradas no Amazonas.  O município de Lábrea, que compõe a lista dos 43 municípios "campeões do desmatamento", foi um dos principais polos da destruição.  A área de influência da BR-163 (Cuiabá-Santarém) também sofreu aumento na destruição.

"Não sabemos ainda o que está ocorrendo.  Esses dados são para auxiliar no processo de fiscalização.  Verificou-se um pico [de desmatamento] em relação ao Amazonas e dirigimos a fiscalização.  Estamos avaliando o que ocorre lá para novas operações", afirmou.  A ministra disse que esse resultado pode estar ligado à menor cobertura de nuvens neste ano, o que ajudou o satélite a "enxergar" mais destruição.  A situação, segundo ela, revelou uma "mudança no perfil" de desmatamento na região.