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Sociedade civil defende campanha Carne Legal
23/08/2010 - Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
Representantes da sociedade civil lançaram essa semana uma carta em defesa da campanha Carne Legal, lançada no início de junho pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA) e apoio do Idec e da Repórter Brasil com o objetivo de estimular o consumo de produtos bovinos de origem regularizada - ou seja, fora de áreas de desmatamento e sem uso de mão de obra escrava. A manifestação surge como resposta aos ataques que campanha vem sofrendo, principalmente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), cuja presidente, a senadora Kátia Abreu, moveu uma ação na Justiça contra a Carne Legal. A carta destaca que a campanha tem ajudado a promover a transparência na cadeia de produção da carne e outros produtos bovinos. Veja abaixo a íntegra do documento: CARTA DE APOIO À CAMPANHA CARNE LEGAL No início de junho deste ano o Ministério Público Federal (MPF), com o apoio do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e da organização Repórter Brasil, lançou uma campanha de orientação aos consumidores. A ação, batizada de Carne Legal, defende que optar pela compra de produtos bovinos de procedência regularizada é uma das formas mais eficazes para combater o desmatamento, o trabalho escravo e outros crimes no campo. Como
uma base de dados para o consumidor, foi lançado um site pelo qual é
possível saber quais as empresas - entre frigoríficos, curtumes e outros
- se comprometeram com o MPF a só vender itens cuja produção respeitou a
legislação vigente. Em uma palavra, trata-se de transparência. Para a presidente da CNA, a campanha é baseada em dados não comprováveis. No Brasil real, que parece não ser o da CNA, segundo dados do Programa de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 700 mil quilômetros quadrados da cobertura florestal da Amazônia foram desmatados nos últimos 40 anos (para termos uma idéia do tamanho do problema: o Estado de São Paulo tem 248 mil quilômetros quadrados), o que equivale a cerca de 15% da área total da floresta. De acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), aproximadamente 80% das áreas desmatadas são destinadas à pecuária. Só no intervalo de 1996 a 2006 a área ocupada pelo pasto na Amazônia legal duplicou, chegando a 550 mil quilômetros quadrados (informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE). Para abrir as porteiras para os bois, muitas vezes trabalho escravo é usado no desmatamento de áreas que se tornarão pastos. Mais de 50% dos empregadores presentes no cadastro do Ministério do Trabalho e Emprego que relaciona empregadores flagrados com mão-de-obra escrava, conhecido como a "lista suja", criavam gado em suas propriedades. Já sabemos: Kátia Abreu vai novamente tapar o sol com a peneira e negar a validade desses dados, que podem facilmente ser comprovados. E esse ataque covarde à campanha Carne Legal é só mais uma etapa da feroz batalha desempenhada pela presidente da CNA contra a legislação ambiental, em especial contra o Código Florestal, batalha que levou organizações ambientais a elegê-la Miss Desmatamento. A violência da CNA contra a campanha Carne Legal só comprova que ela tocou no ponto fraco da parcela dos pecuaristas que desmata e escraviza: se o consumidor puder tirar do mercado os ilegais, ele o fará. Se o consumidor puder optar por comprar produtos que não estimulem o crime, inevitavelmente práticas como o desmatamento, o trabalho escravo e a invasão de terras públicas não terão mais sustentação econômica. Assim, é preciso dar continuidade à campanha. Não aceitamos que essa discussão seja camuflada. São as vidas de trabalhadores rurais escravizados e a garantia de um meio ambiente sustentável para a nossa e para as futuras gerações que estão em jogo. Reivindicando nosso direito à transparência, a instrumentos que nos permitam mudar essa realidade criminosa que se perpetua no campo brasileiro, registramos publicamente nosso apoio à campanha Carne Legal e a seus idealizadores, e nosso repúdio aos que tentam censurá-la. Subscrevem esta carta: Candido Cunha, agrônomo, Incra, PACarlos Ansarah, agrônomo, Incra, PA Carlos Tautz, jornalistas, Ibase, RJ Comissão Pastoral da Terra (CPT) Nacional, GO Comissão Pastoral da Terra (CPT) Pará, PA Esplar Centro de Pesquisa e Assessoria, CE Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), RJ Instituto Observatório Social Joao Alfredo Telles Melo, advogado, vereador pelo Psol, CE Justiça Global, RJ Karen Suassuna, WWF, DF Padre Edilberto Sena, Frente em Defesa da Amazônia, PA Rede Brasil Sobre Instituições Financeiras Multilaterais, DF Tarcísio Feitosa, ganhador do Prêmio Goldman Environmetal Prize 2006, PA Tatiana Carvalho, agrônoma, WWF, DF Toni Venturi, cineasta, SP |
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