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Os impactos da produção de cana no Cerrado e Amazônia
18/11/2008 - CPT e Rede de Justiça Social e Direitos Humanos
Esta publicação visa sistematizar os dados e análises recentes sobre a expansão do monocultivo de cana no Brasil, a partir da chamada “febre do etanol”. Essa expansão está baseada principalmente na expectativa de aumentar a exportação do produto. Nesse sentido, houve uma mudança no perfil da indústria, com forte presença de empresas estrangeiras de diferentes setores, não só agrícolas, mas principalmente financeiras, automotivas e petroleiras.

O impacto no meio rural é imensurável, pois fortalece o modelo agrícola baseado no monocultivo e na consolidação da grilagem de terra. Em pleno século 21, o Brasil baseia suas políticas nas necessidades dos países centrais e de grandes empresas transnacionais, em detrimento do bem-estar de sua população e da preservação de bens naturais. A propaganda do etanol como energia “limpa” já não convence a sociedade.

É isso que procuramos mostrar nesse estudo O Brasil tem um enorme potencial energético. As novas descobertas de petróleo colocam questões centrais para sua autodeterminação sobre recursos estratégicos, que devem ser geridos de acordo com os interesses do povo brasileiro. Ao mesmo tempo, o meio rural brasileiro é rico em bens naturais, que devem ser preservados para futuras gerações, a partir do cumprimento dos direitos das comunidades camponesas, indígenas e quilombolas.

É preciso lembrar que a energia primordial que a humanidade necessita para sua sobrevivência é gerada pelos alimentos. Apesar de todo o potencial agrícola do país, milhões de pessoas não têm acesso ao direito básico à alimentação. Segundo dados do IBGE, 14 milhões de pessoas passam fome no Brasil e mais de 72 milhões vivem em situação de insegurança alimentar. Um modelo de desenvolvimento compatível com a demanda histórica dos movimentos sociais teria que priorizar a Soberania Alimentar e realizar a Reforma Agrária, para garantir o acesso à terra a milhões de trabalhadores rurais.

Ao contrário, o que presenciamos hoje é a legalização da grilagem de terras, favorecida pelos órgãos públicos, o aumento da concentração fundiária, a mercantilização da natureza e o descumprimento de leis ambientais e trabalhistas. Os estudos apresentados nessa cartilha demonstram esse processo, a partir de um quadro detalhado da expansão dos canaviais e seus impactos.
 
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