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Análise da Expansão do Complexo Agroindustrial Canavieiro no Brasil
07/01/2009 - WWF - Brasil
Nas últimas décadas o mundo vem discutindo formas de lidar com os efeitos causados pelo impacto humano no globo terrestre e vencer a grande dependência de produtos derivados do petróleo, cada vez mais escasso e com custos crescentes. É nítida a tendência de se reverter a matriz energética global dependente do petróleo. Estimativa da Agência Internacional de Energia (AIE), divulgada no final de 2004, aponta que a demanda global por todas as formas de energia tinha alcançado 10.500 milhões de toneladas equivalentes de petróleo, com crescimento de 70% em relação ao momento imediatamente anterior ao primeiro choque de preços em 1973. A AIE projeta ainda, para 2030, um novo aumento de 50% na demanda mundial de energia, com o avanço na participação dos países emergentes, os quais devem atingir 56% do mercado ao final do período (Macedo 2005).

Nesse sentido, processos como o Protocolo de Quioto, o alarme causado pelos visíveis impactos das mudanças climáticas e outras discussões internacionais vêm levando a sociedade a reconhecer a importância de se encontrar alternativas à matriz energética baseada no petróleo.

Fontes renováveis de energia, como biocombustíveis, parecem ser a melhor resposta atualmente para lidar com a questão. Diferentemente do óleo cru, essas fontes renováveis estão distribuídas pelo globo de forma mais uniforme, ao se considerar a biomassa para a produção de etanol e biodiesel, e gordura animal para biodiesel, variando somente em quantidades e custos de produção. Essa corrente tem mostrado que o principal alvo de mudança é o setor de transporte, onde os biocombustíveis têm substituído a gasolina e o diesel, por completo ou em partes adicionadas a produtos derivados de petróleo.

Etanol é o biocombustível mais comumente utilizado para substituir gasolina e o biodiesel para substituir diesel. Ambos, sob certas condições, apresentam, comparativamente aos derivados de petróleo, menor emissão de resíduos poluentes e melhor balanço energético. A produção e uso do etanol é muito mais extensiva atualmente do que a do biodiesel, em decorrência, principalmente, do seu baixo custo de produção, via biomassa. O Brasil é o líder de produção mundial de etanol de cana de açúcar, face ao seu histórico de desenvolvimento de tecnologias apoiadas por investimentos governamentais durante a vigência do Programa do Pró-alcool no final da década dos setenta e durante a década dos oitenta.

Este trabalho tem como objetivo discutir como o complexo agroindustrial canavieiro brasileiro deverá se expandir nas próximas décadas, bem como identificar variáveis e atores relevantes neste processo de expansão, tendo em vista as novas possibilidades abertas com a crescente demanda por álcool. O fato novo na construção destes cenários é o álcool estar se tornando uma “commodity” mundial, juntamente com os demais produtos bioenergéticos. Descreve-se também os principais riscos socioambientais desencadeados pela expansão do setor canavieiro.
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